Gestão financeira

Precificação odontológica: guia completo para sua clínica

23/08/2022 Por Patrizia Fiorentino 8 min. de leitura

Uma precificação odontológica precisa é o pilar para alcançar resultados financeiros excelentes em sua clínica. Afinal, definir preços justos e competitivos não só garante a saúde financeira do negócio, mas também influencia na atração e fidelização de pacientes

No entanto, para criar uma tabela de preços em odontologia corretamente, é essencial realizar estudos e análises de mercado aprofundadas, além de compreender as características do seu público-alvo.

Neste guia, exploraremos as melhores práticas para que você realize uma precificação odontológica precisa, assegurando a sustentabilidade e a lucratividade da sua clínica.

Por que uma estratégia de precificação adequada é crucial na odontologia?

Preços justos e competitivos garantem que os tratamentos sejam acessíveis aos pacientes, ao mesmo tempo em que mantêm a lucratividade do negócio.

Sem uma estratégia sólida, sua clínica corre riscos significativos: pode perder pacientes para concorrentes com preços mais atraentes ou, inversamente, subvalorizar seus serviços, comprometendo a sustentabilidade financeira a longo prazo.

Confira nossa dicas para criar uma tabela de preços em odontologia:

1. Calcule suas despesas antes de criar uma tabela de preços em odontologia

O primeiro e mais fundamental passo para uma precificação odontológica eficiente é o cálculo meticuloso de todas as despesas necessárias para manter sua clínica em pleno funcionamento. Isso inclui tanto os custos fixos quanto os custos variáveis:

  • Custos fixos: Despesas que não mudam com o volume de atendimentos, como aluguel, salários da equipe administrativa, seguros e contas de internet/telefone.

  • Custos variáveis: Despesas que flutuam de acordo com o número de atendimentos, como materiais odontológicos, energia elétrica (impactada pelo uso de equipamentos), água e comissões de dentistas.

Realizar um levantamento detalhado desses custos permitirá que você determine a receita mínima necessária para operar sua clínica de forma saudável e lucrativa.

Leia também: Como as métricas podem ajudar a saúde financeira da sua clínica?

2. Determine o custo da sua hora de trabalho

Após calcular suas despesas totais, é essencial determinar o custo da sua hora de trabalho. Este cálculo garante que cada procedimento cubra seus custos operacionais e ainda gere lucro. Para calculá-lo, utilize a fórmula:

Valor de custo/hora = Despesas mensais /Horas trabalhadas por mês​

Por exemplo, se suas despesas mensais somam R$ 5.000,00 e você trabalha 44 horas por semana (cerca de 176 horas por mês), o custo por hora seria R$ 28,40. Esse valor deve ser considerado na formação de preços, assegurando que você não trabalhe no prejuízo.

3. Entenda a diferença entre o valor do serviço e o custo do tratamento

Valor dos serviços odontológicos


Uma precificação adequada deve considerar não apenas o custo real do tratamento, mas também o valor percebido pelo paciente. O custo do tratamento engloba despesas com materiais, tempo de trabalho do dentista e outros custos diretos. Já o valor do serviço é influenciado por fatores intangíveis e muitas vezes decisivos, como:

  • Conhecimento e experiência do dentista.

  • Qualidade dos materiais e equipamentos utilizados.

  • Percepção geral do paciente sobre o atendimento e os resultados.

  • Reputação da clínica e do profissional.

Leia mais: Comissionamento para dentistas: como elaborar e otimizar o pagamento dos dentistas de sua clínica

Definir preços que apenas cobrem os custos pode não ser suficiente para a sustentabilidade. É fundamental agregar valor ao seu serviço, considerando sua qualificação profissional, a excelência do atendimento oferecido e os benefícios que o paciente realmente enxerga.

 4. Faça pesquisa de mercado e análise da concorrência

Para definir preços verdadeiramente competitivos, é indispensável realizar uma pesquisa de mercado aprofundada e analisar como seus concorrentes precificam seus serviços. Visite consultórios na sua região, compare diversas tabelas de preços em odontologia e avalie os serviços e diferenciais que eles oferecem.

Essa análise permitirá que você posicione sua clínica de maneira estratégica, ajustando seus preços conforme necessário para se manter competitivo, atrair novos pacientes e reter os atuais, sem comprometer sua margem de lucro.

Leia também: 6 estratégias para aumentar a lucratividade da clínica odontológica

5. Utilize ferramentas e referências para precificação

Existem diversas ferramentas e referências que podem auxiliar você na precificação odontológica, fornecendo uma base sólida para suas decisões.

  • Valores Referenciais para Procedimentos Odontológicos (VRPO): Tabela disponibilizada pelo Conselho Regional de Odontologia (CRO), que oferece uma estimativa média de preços, servindo como um excelente ponto de partida.

  • Planilha de Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Odontológicos (CBHPO): Oferece valores mais atualizados, refletindo com maior precisão a realidade do mercado atual.

Além dessas referências, softwares de gestão clínica, como o Dental Office, são ferramentas poderosas. Eles podem automatizar o cálculo de custos, otimizar a gestão financeira da clínica e fornecer dados essenciais para uma precificação inteligente.

Se você é dentista autônomo, CLT, ou sócio de uma clínica, provavelmente já esbarrou na seguinte dúvida: preciso contribuir com o INSS? A verdade é que o INSS para dentistas não é apenas uma obrigação legal, mas pode ser também uma estratégia inteligente de proteção social e planejamento de aposentadoria.

Neste artigo, vamos tirar suas principais dúvidas sobre o assunto com uma linguagem clara, direta e acessível, como uma boa conversa entre colegas. Ao final, você vai entender se está contribuindo da forma correta, como calcular o valor ideal e quais os benefícios que o INSS pode trazer à sua carreira.

Por que o INSS para dentistas é tão importante?

Embora a maior parte dos dentistas trabalhe como autônomo ou como PJ, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) oferece uma série de coberturas que podem ser cruciais em momentos delicados da vida: afastamento por doença, licença maternidade, aposentadoria e pensão por morte são apenas alguns exemplos.

Mesmo quem não é CLT pode (e deve) contribuir por conta própria como contribuinte individual — inclusive os dentistas que têm CNPJ e emitem nota fiscal.

Leia também: Pessoa Física ou Jurídica: qual a melhor opção no regime tributário para dentistas?

Quem deve contribuir com o INSS?

Dentistas autônomos

Se você atende por conta própria, sem vínculo com uma empresa, é considerado contribuinte individual. Nesse caso, a inscrição e o pagamento são de sua responsabilidade. Você pode contribuir com 11% ou 20% sobre o valor que declara no Carnê-Leão ou na DASN-SIMEI, se for MEI.

INSS para Dentistas com CNPJ (Pessoa Jurídica)

Mesmo com CNPJ, o INSS para dentistas continua sendo relevante. A contribuição pode ser feita como sócio retirante de pró-labore, o que garante acesso aos benefícios da Previdência. A alíquota mínima é de 11%, mas o mais comum é 20% sobre o valor do pró-labore.

Dentistas CLT

Se você é contratado formalmente por uma clínica ou hospital, o desconto do INSS já vem no seu holerite. Nesse caso, a empresa é quem recolhe e repassa a contribuição ao governo.

Quais são os benefícios do INSS para dentistas?

Muitos profissionais se perguntam se vale a pena pagar o INSS de forma voluntária. A resposta, na maioria dos casos, é sim. Veja por quê:

  • Aposentadoria por idade ou tempo de contribuição
  • Auxílio-doença e aposentadoria por invalidez
  • Salário-maternidade
  • Pensão por morte para dependentes
  • Reabilitação profissional em caso de incapacidade parcial

Além disso, contribuir com regularidade ajuda a comprovar renda e tempo de atividade, o que pode ser exigido em financiamentos, concursos e processos jurídicos.

Como calcular o valor da contribuição?

Base de cálculo

A base mínima de contribuição é o salário mínimo vigente. A base máxima é o teto do INSS, que hoje está em R$ 7.786,02 (*valores de 2025).

Alíquota

  • 20% para contribuintes individuais (com possibilidade de dedução no Imposto de Renda)
  • 11% para optantes do Plano Simplificado

Como contribuir com o INSS sendo dentista?

  1. Abra o site ou app “Meu INSS”
  2. Escolha a categoria “Contribuinte Individual”
  3. Gere a guia de pagamento (GPS)
  4. Pague mensalmente até o dia 15 do mês seguinte ao vencimento

Procure um contador, ele pode integrar isso ao seu planejamento financeiro e fazer esse processo de forma automática.

Planejamento Previdenciário do INSS para dentistas: vale a pena?

Sim, e cada vez mais. O INSS para dentistas pode (e deve) ser parte de um planejamento de longo prazo. Junto com previdências privadas, investimentos e seguro profissional, ele compõe uma rede de proteção e estabilidade.

Aliás, um bom planejamento previdenciário ajuda você a decidir quanto contribuir, por quanto tempo e de que forma obter o melhor retorno possível — tanto na aposentadoria quanto em eventuais imprevistos.

O INSS para dentistas não deve ser visto apenas como um custo obrigatório, mas como uma proteção estratégica para sua carreira. Com a organização correta, você pode garantir benefícios, segurança e até pagar menos imposto. Vale conversar com seu contador para entender qual é a melhor forma de contribuir no seu caso específico. E lembre-se: cuidar da saúde financeira é tão importante quanto cuidar do sorriso dos seus pacientes.

Se você gostou do nosso conteúdo, não deixe de conferir a nossa página de materiais educativos:

Escrito por Dr. Jean Santos

Cirurgião-dentista. Pós-graduado em odontologia estética. Pós-graduado em gestão de pessoas e sistemas de saúde/FGV. Especialista em Metodologia do Ensino Superior em Saúde. Especialista em Dentística com Ênfase em Prótese e Estética. Especialista em Ortodontia. Mestre em Odontologia/Dentística /UNOPAR. MBA em Gestão Pública na Saúde. Professor universitário do curso de graduação em odontologia da FACCREI – Faculdade Cristo Rei. Sócio Fundador da Biank Contabilidade para Saúde. Perito odontológico judicial e consultor em orientação profissional odontológica. às mudanças do mercado.

Comentários

4 respostas para “Precificação odontológica: guia completo para sua clínica”

  1. Ricardo disse:

    Muito bacana

  2. ANDRÉA DIAS. disse:

    Muito esclarecedor, muito obrigada.

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