O que mudou na biossegurança em clínicas odontológicas no pós-covid?

Clínicas odontológicas devem conter protocolos de biossegurança no pós-covid para guiar as ações e serviços prestados pelos dentistas e que devem ser obedecidas em todos os atendimentos. Essas normas devem ser seguidas à risca, independente se o paciente está infectado ou não.

Segundo o especialista em emergências da OMS, Mike Ryan, há grandes chances do novo coronavírus se tornar uma doença endêmica na sociedade, portanto, não há previsão do fim da pandemia ou de como será o futuro com a doença.

Dessa maneira, é necessário que esses protocolos de biossegurança continuem com seus cuidados redobrados, assim como durante os períodos mais críticos da pandemia, visto que a transmissão ainda pode ocorrer mesmo em pacientes já vacinados, assintomáticos ou pré-sintomáticos.

É preciso lembrar que esses cuidados não impedem somente o risco de contágio da covid-19, mas também de outras doenças causadas por vírus e bactérias. Sendo assim, é um fator fundamental para diminuir riscos de infecção durante os procedimentos. 

Pensando nisso, separamos as principais mudanças ou melhorias nas práticas de biossegurança que surgiram com a covid-19 e devem permanecer na prática odontológica para evitar o coronavírus e as demais doenças. Acompanhe!

A triagem como rotina de biossegurança pós-covid no pré-atendimento odontológico 
Biossegurança pós-covid no ambiente: da higienização do consultório à arquitetura 
Considerando outras doenças virais e bacterianas na biossegurança pós-covid
Assistência odontológica e a biossegurança em pacientes positivados

A triagem como rotina de biossegurança pós-covid no pré-atendimento odontológico

Com a pandemia da covid-19, um novo cuidado, já presente em outras áreas da saúde, foi adicionado à biossegurança de clínicas odontológicas, a triagem, que pode ser definida como um sistema de classificação de risco e de gravidade de cada situação.

Biossegurança pós-covid em clínicas odontológicas | Dental Office

Sendo assim, no caso de clínicas odontológicas, a triagem é utilizada para averiguar as chances de um paciente estar ou não positivado para a doença e se o atendimento deve ou não ser adiado para evitar a transmissão aos outros. 

Leia mais: Dentista: a covid-19 mudou seu paciente!

Para isso, a triagem pode ocorrer em três etapas no pré-atendimento odontológico, são elas:

  • Sintomas e sinais de contágio: a primeira etapa é crucial e exige grande foco e atenção de quem está realizando a triagem. É necessário avaliar se o paciente possui algum dos sintomas de covid-19, porém, com grande cuidado para diferenciar esses sintomas de outros problemas odontológicos, como a febre alta, que é um sintoma do coronavírus e também de infecção dentária grave. 

    Em casos como esse, é essencial que o paciente seja atendido devido à gravidade de sua condição, portanto, uma análise precisa de cada sintoma deve ser feita para descobrir suas origens e a probabilidade do paciente estar positivado ou não. 
  • Risco de exposição: compreender o risco de exposição do paciente também é necessário para realizar um atendimento seguro. Como por exemplo, se você possui pacientes que aderem ao lockdown e ao isolamento social, além de estarem com a vacinação completa e não possuírem nenhum sintoma, ainda podem ter risco de contaminação se, por exemplo, o cônjuge deste paciente teve contato com positivados.

    Neste tipo de caso, o paciente ainda possui risco de exposição ao vírus. Portanto, adiar a consulta para um momento mais seguro pode ser o melhor a se fazer.
  • Grupo de risco: outra etapa a ser considerada é pensar na exposição dos grupos de risco. Para isso, o cirurgião dentista deve pensar em ações para expor menos essas pessoas.

    Como por exemplo, a gestão odontológica pode agendar horários específicos para que esse paciente tenha o menor contato com pessoas dentro da clínica

Além disso, a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), recomenda também o uso de oxímetros durante a triagem para monitorar o nível de oxigênio no sangue. Uma parte das positivados pela covid-19 sofrem de hipóxia, ou seja, baixo teor de oxigênio no sangue.

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Porém, é importante se atentar de que existem outros fatores que podem interferir nessa mensuração, como hemoglobinas desproporcionais e a luz do ambiente elevada. 

Biossegurança pós-covid no ambiente: da higienização do consultório à arquitetura

Em locais de atendimento hospitalar ou de saúde, é de extrema necessidade a higienização frequente de todos os ambientes.

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Nesse momento ainda de pandemia, a biossegurança na odontologia deve contar com uma limpeza de 30 em 30 minutos por espaço, partindo sempre do pensamento de qualquer paciente seu pode estar infectado, seja por covid-19 ou outras doenças virais e bacterianas, como a influenza. 

Com isso, para realizar uma higienização completa e com segurança, também é necessário oferecer todo o EPI (Equipamentos de Proteção Individual) para seus colaboradores responsáveis pela limpeza, o que deve incluir:

  • Higiene frequente das mãos com sabonete líquido ou álcool em gel 
  • Gorro
  • Óculos de proteção ou protetor facial
  • Máscara cirúrgica ou PFF2
  • Avental impermeável de manga longa com punho / elástico
  • Luvas de borracha com cano longo para limpeza
  • Botas impermeáveis de cano longo 

Com tudo isso, você já pode começar a realizar a limpeza e desinfecção no ambiente:

Ambiente odontológico

Nas superfícies clínicas, ou seja, aquelas tocadas pelos profissionais durante o atendimento, devem ser limpas e desinfetadas depois de cada paciente. Já as superfícies e equipamentos de conformação complexa devem ser cobertas com barreiras impermeáveis e trocadas no fim de cada atendimento, como por exemplo:

  • Terminais dos encaixes das peças de mão e seringa simples 
  • Pontos de apoio no equipo
  • Mangueiras do equipo

Já nas superfícies de limpeza doméstica, aquelas que não têm contato com as mãos e nem com dispositivos utilizados no atendimento, como pisos, pia, balcões, etc. 

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A limpeza dessas áreas deve ser feita de:

  • Cima para baixo
  • Dentro para fora
  • Área menos contaminada para mais contaminada 

Por fim, outras regiões também precisam de cuidado e atenção para a limpeza, são elas:

  • Linhas de água do equipamento: esgote as linhas de água no final de cada atendimento e, também, consulte o fabricante quanto ao protocolo para realizar a limpeza e a desinfecção.
  • Linhas de ar: é necessário drenar o ar do compressor diariamente. 
  • Ar condicionado: mantenha a limpeza e a manutenção preventiva em dia com empresa especializada. 

Mudanças na arquitetura e design da clínica odontológica 

Como sabemos, o vírus da covid-19 é capaz de sobreviver por um determinado tempo em certas superfícies. Com isso, todos os espaços tocáveis merecem atenção da clínica para que o mínimo de pessoas precise encostar nesses locais.

Dessa maneira, vem sendo adotada na Odontologia e em outras áreas o conceito do minimalismo na arquitetura e design. Sendo assim, as clínicas contam com menos vasos, decoração e outros objetos que podem ser tocados, principalmente nas especializadas em odontopediatria

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Sem esquecer também do distanciamento social, em que cada paciente na fila de espera deve ficar a uma distância de 1,5m no mínimo do outro. Portanto, as cadeiras e poltronas devem estar bem afastadas umas das outras. 

Outra aquisição importante é a disponibilização do álcool em gel, que antes da pandemia já era encontrado em algumas clínicas, mas agora passa a ser obrigatório e de preferência em dispenser com pedal para evitar o toque das mãos. 

Leia mais: O que você deve saber sobre ética e legislação odontológica

Considerando outras doenças virais e bacterianas na biossegurança pós-covid

Com os cuidados de biossegurança odontológica redobrados durante a pandemia da covid-19, aumentam também as precauções com outras doenças virais e bacterianas, como a influenza, HSV (vírus da herpes simples), tuberculose, etc. 

Para evitar essas doenças, também é importante se ater aos seus métodos de transmissão, que dentro de uma clínica odontológica só ocorrem de maneira horizontal não sexual, ou seja, por contato direto ou indireto, gotículas ou vias aéreas. 

Além disso, também existem os vírus que podem ser transmitidos pelo sangue, como o HIV e as hepatites. 

Apesar das práticas de biossegurança odontológica já contarem com métodos de prevenção para essas doenças, após a pandemia da covid-19 esses cuidados também precisam ser redobrados, principalmente pois a alta transmissão do vírus superlotam os hospitais e não deixam espaços para outros atendimentos

Assistência odontológica e a biossegurança em pacientes positivados ou com suspeita de covid-19

Em casos de pacientes positivados ou com suspeita de covid-19, mesmo com todos os protocolos e práticas de biossegurança sendo adotadas, o atendimento e os procedimentos odontológicos devem ser restritos às urgências e emergências. 

Leia mais: Tecnologias anti-covid para proteção de pacientes e funcionários

Dessa maneira, o atendimento deve ser direcionado de maneira imediata para resolução da dor e do desconforto sentido pelo paciente. Deixando para um momento mais oportuno a resolução definitiva e o tratamento do problema.

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Outra medida é deixar esses pacientes para serem atendidos por último em sua agenda e solicitar que cheguem na clínica odontológica somente depois que todos os pacientes tiverem saído. 

Para realizar atendimentos de urgência em pacientes que testaram positivo para covid-19 ou estão sob suspeita, exigem algumas ações a serem seguidas:

  • Contusões de tecidos moles de pacientes com Covid-19 devem ser suturadas preferencialmente com fio absorvível;
  • Pulpite irreversível em pacientes positivados deve ser feita sob isolamento absoluto e com exposição da polpa sendo feita por meio químico-mecânico manual;
  • Feridas devem ser enxaguadas lentamente para que não ocorra pulverização.

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