Odontofobia e ansiedade odontológica: como atender pacientes com medo de dentista

Desde cedo escutamos sobre a importância de ir às consultas odontológicas e que uma boa higienização diária é capaz de evitar doenças orais como cárie e doenças periodontais. Para grande parte das pessoas, a higienização é aplicada ao cotidiano com facilidade, porém, muitas outras deixam a saúde bucal de lado quando apresentam problemas por conta da odontofobia e da ansiedade odontológica. O famoso medo de dentista.

Sendo assim, basta  imaginar a ida ao consultório odontológico que as mãos começam a suar e o nervoso faz o coração palpitar. Surpreendentemente, cerca de 15 a 20% da população em geral é afetada pela odontofobia.

Isto é, declaram ter medo ou, pelo menos, sentem ansiedade com as consultas com o dentista. Os números apontam que o medo de dentista, ou a ansiedade odontológica, são considerados extremamente comuns.

Por exemplo, estima-se que 10% da população estadunidense evita ir ao dentista devido à sensação de ansiedade ou medo. A porcentagem representa cerca de 32 milhões de pessoas.

Outro estudo realizado pela British Dental Health Foundation, uma das principais instituições de caridade independentes de saúde bucal no mundo, com sede no Reino Unido, indica que 36% das pessoas entrevistadas apontaram o medo como principal motivo para a falta de frequência às consultas odontológicas

Já no Brasil, a estimativa de pessoas que sofrem de medo ou ansiedade odontológica pode ser ainda maior, se comparada aos Estados Unidos. Por aqui, o número indicado por estudos é de 15% da população.

O medo de ir ao dentista, em especial, é conhecido pelo termo Odontofobia e, geralmente, está ligado a outras fobias, como a Aicmofobia – o medo de agulhas – ou a Latrofobia – o medo de médicos.

Diferente da ansiedade, a fobia de dentista é um quadro muito mais sério e pode trazer várias consequências ao acometido, por isso, a importância de saber lidar com esse tipo de situação. Você sabe como? Para garantir um atendimento seguro e eficaz em seu paciente ansioso ou com odontofobia, continue a leitura!

Qual a diferença entre ansiedade odontológica e odontofobia?
O que pode causar a ansiedade ou o medo de dentista? 
O que a odontofobia faz com o paciente?
Como os dentistas devem lidar com a ansiedade odontológica e com a odontofobia?

Qual a diferença entre ansiedade odontológica e odontofobia?

Como vimos, o medo e ansiedade de ir ao dentista são bastante comuns. No entanto, os dois termos não significam a mesma coisa. O uso deles pode acabar gerando confusão, especialmente porque a fobia é uma condição médica de maior gravidade do que a ansiedade odontológica. 

Dessa forma, saber identificar e diferenciar a presença de um ou de outro é importante para, principalmente, encontrar uma solução para o problema e definir qual o melhor curso de tratamento com cada paciente por meio de um atendimento atencioso e humanizado.  

Guia para uma odontologia mais humanizada

Em primeiro lugar, é preciso saber que tanto a ansiedade quanto a fobia não possuem idade específica para se manifestar. Isto é, podem atingir pessoas de qualquer idade, tanto crianças, como adultos e idosos

A ansiedade odontológica é caracterizada pela sensação de desconforto relacionada à consulta odontológica. Pessoas com esse tipo de transtorno normalmente apresentam preocupação excessiva e medo sem qualquer causa aparente. 

Contudo, a ansiedade não é, por si só, capaz de ir além da razão. Apesar de ser uma condição muito incômoda e difícil de se lidar, se comparada à fobia, pode ser melhor controlada. 

Por outro lado, a fobia é uma condição que transcende a ansiedade e também a razão. Trata-se de um medo muito mais intenso e quase incontrolável, levando as pessoas ao terror e pânico. Em alguns casos, o odontofóbico pode até mesmo ficar doente pelo estresse emocional ao saber que passará por uma consulta com o dentista.

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Em um grau extremo, pessoas com essa fobia podem passar uma vida sem ir a uma consulta odontológica. Nesses casos, métodos alternativos podem ser prescritos para levar a cura ao paciente, como tratamento psicológico e até uso de medicamentos.

O que pode causar a ansiedade ou o medo de dentista?

Uma das explicações possíveis para a ansiedade e o medo de dentista é a cultura odontológica conhecida e vivenciada pelos mais velhos e, então, passada para os mais jovens.

Odontofobia e ansiedade odontológica: como lidar? | Dental

Isso porque, antigamente, os métodos utilizados no consultório odontológico eram desconfortáveis para o paciente devido às limitações tecnológicas – situação que não condiz mais com os dias atuais. 

Ainda assim, mesmo com o avanço tecnológico e a modernização dos métodos de tratamento e instrumentos odontológicos, muitas pessoas ainda sofrem com o medo de dentista. No caso das crianças, por exemplo, ouvir histórias negativas com relação à consulta pode gerar a ansiedade odontológica.

Além disso, também é comum que os pequenos sejam induzidos a esse sentimento ao observarem o temor de algum adulto ou dos próprios pais odontofóbicos. Em outros casos, a falta de empatia do profissional da odontologia pode levar à insegurança.

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Situações onde o paciente passou por algum procedimento em que sentiu dor e não conseguiu demonstrar ou não foi ouvido pelo dentista, por exemplo, pode gerar um medo permanente, especialmente em crianças. 

Outras causas que podem levar ao medo ou à ansiedade incluem:

  • Sensação do desconhecido: normalmente associado à falta de experiência em consultas anteriores ou a escassez de esclarecimentos que deveriam ser fornecidos pelo dentista;
  • Dor: uma das causas mais comuns para o desenvolvimento da fobia é o medo da dor que pode estar associado à diversos outros fatores;
  • Constrangimento: se deve a vergonha de ter um estranho olhando para dentro de sua boca, parte do corpo considerada íntima por muitos. Também está associado à consciência do estado de deterioração dos dentes e a vergonha consequente dela;
  • Fatores externos: muitas vezes o medo pode estar associado a outros fatores independentes que prejudiquem um indivíduo psicologicamente, como casos de abuso físico, mental ou sexual. 

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O que a odontofobia faz com o paciente? 

Quando identificar a ansiedade odontológica ou a odontofobia, o indivíduo deverá procurar auxílio profissional, uma vez que a falta de tratamento pode causar graves consequências à saúde.

Isso porque, pela falta de visitas ao dentista, pessoas com odontofobia estão mais sujeitas ao desenvolvimento de doença periodontal. Além disso, também existem as consequências estéticas e emocionais.

Um sorriso danificado, amarelado ou o mau hálito frequente, podem causar insegurança e até mesmo gerar impactos na vida pessoal e profissional de um indivíduo.

Com uma saúde bucal precária, o indivíduo também estará sujeito a condições que apresentam risco de vida, como doenças cardíacas e infecções pulmonares. Apesar da ansiedade ser comum em muitos casos, não é normal haver terror sob a perspectiva de ter que se submeter a procedimentos odontológicos. Se isso ocorrer, é preciso buscar ajuda.

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Como qualquer outro transtorno mental, a odontofobia pode, e deve, ser tratada. Mas como lidar com pacientes odontofóbicos ou muito ansiosos? Continue a leitura!

Como os dentistas devem lidar com a ansiedade odontológica e com a odontofobia? 

Técnicas de relaxamento dentro do consultório odontológico podem ser bastante eficientes. Para identificar esses casos de ansiedade ou odontofobia, antes de submeter o paciente a qualquer tipo de tratamento, existem algumas atitudes que podem ajudar:

Anamnese detalhada

Buscando compreender o que de fato leva o paciente àquela condição. Em algumas situações mais simples, apenas uma boa conversa pode ser o suficiente para suavizar a ansiedade do paciente. 

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Sendo assim, frente a condições como essas, o profissional deve procurar ser o mais empático possível, retornando aos dados da anamnese quantas vezes forem necessárias, a fim de prestar um atendimento adequado.

Além disso, você pode usar o prontuário eletrônico, presente no software odontológico Dental Office. Nele, você terá acesso ao histórico do paciente com facilidade, além do histórico de tratamentos e anamnese completa, o que garante que você lembre dos medos dos pacientes e mantenha os devidos cuidados em futuras consultas. 

Triagem 

A ansiedade não afeta apenas o psicológico do paciente, mas também o corpo. Dito isso, podem ser realizadas triagens antes das consultas para averiguar sintomas da ansiedade, como o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, espasmos musculares, respiração ofegante, etc.

Se constatar ansiedade, converse com seu paciente, procure entender o que lhe causa medo de forma que por meio do diálogo e de um ambiente seguro você possa trabalhar isso.

Educação para a saúde bucal

A desinformação também pode causar medo. Não saber como o procedimento funciona, se vai doer ou não, quais os riscos, entre outras coisas, pode deixar o paciente ansioso com o atendimento. 

Dessa maneira, procure transmitir com clareza cada passo dos procedimentos e qual a importância deles na saúde bucal de seu paciente e como cuidar dela é essencial para evitar consequências desagradáveis.

Ambiente aconchegante

Ambientes “hospitalares”, ou seja, que contenham cores frias, temperatura ambiente gelada, atendimento apático, entre outras características, tendem a despertar o medo em certos pacientes, principalmente também naqueles que já possuem medo de médicos, a conhecida Latrofobia. 

Odontofobia e ansiedade odontológica: como lidar? | Dental

Por conta disso, é essencial oferecer um ambiente aconchegante e agradável, que fuja dessa ideia tradicional de ambientes de saúde. Ter paredes pintadas com cores vibrantes, jalecos e outros equipamentos diferenciados, música ou TV na sala de espera e incluir outras coisas que tornem o local mais agradável e confortável vai ajudar muito. 

Converse com os pais ou responsáveis 

No caso de atendimento ao público infantil, o medo é transmitido pelos próprios pais ou responsáveis. Seja por ficarem ansiosos pelas crianças ou ainda por colocarem o dentista como um tipo de “castigo”, como alguns também fazem com as vacinas. 

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É papel do dentista conversar com os pais e explicar que as consultas odontológicas nunca devem ser utilizadas para impor algo aos pequenos. Deve-se aconselhá-los também a transmitirem alegria e tranquilidade, mostrando que ir ao consultório não é algo ruim, e sim algo importante para nossa saúde.

Além de tudo isso, você também pode utilizar de alguns métodos para avaliar o grau de ansiedade do paciente. Porém, vale lembrar que não é papel do cirurgião-dentista realizar diagnóstico ou qualquer tipo de tratamento psiquiátrico ou psicológico. 

Portanto, esses métodos devem ser utilizados somente para medir o grau de ansiedade do paciente para saber como lidar com a situação, mas, recomendar um tratamento psicológico por profissionais é sempre a melhor atitude a ser tomada.

Entre esses métodos, existe o Dental Anxiety Scale (DAS), entenda um pouco mais sobre ele:

Dental Anxiety Scale (DAS) – Escala de Ansiedade Odontológica

Esse questionário é aceito no Brasil, sendo realizado por meio de 4 perguntas. Portanto, é muito prático e fácil de ser feito, principalmente no momento da triagem.

As perguntas têm o valor de até 5 pontos, dessa maneira, os resultados podem variar de entre 4 (todas as perguntas foram respondidas com 1) e 20 (todas as perguntas foram respondidas com 5). 

O número de pontos indicará o nível de ansiedade em que o paciente se encontra:

  • Igual ou superior a 15: ansiedade elevada

  • Entre 12 e 14: ansiedade moderada

  • Igual ou inferior a 11: ansiedade baixa

  • Para conferir as perguntas e como o método é aplicado, acesse o artigo:

    Escala de ansiedade odontológica: Reprodutibilidade das respostas dadas em entrevistas telefônicas e pessoais – de Cristina Dupim Presoto, Sabrina Spinelli Cioffi , Tiago Mendonça Dias , Leonor de Castro Monteiro Loffredo , Juliana Alvares Duarte Bonini Campos.


    Cuidar de seus pacientes da maneira correta só tem a agregar valor no seu atendimento, mostrando que você realmente se importa com aqueles que necessitam do seu trabalho. 

    Portanto, um atendimento atencioso e cuidadoso tem de tudo para te ajudar a atrair e fidelizar pacientes. Quer saber o que mais pode te ajudar nisso? Então acesse nosso eBook gratuito:

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