Como identificar o medo do dentista e suas consequências

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É muito importante que os dentistas identifiquem os pacientes odontofóbicos e os ajudem durante as consultas odontológicas.

Desde cedo ouvimos sobre a importância de ir às consultas odontológicas.

Também aprendemos que uma boa higienização diária é capaz de evitar doenças orais como a cárie e as doenças periodontais.

Para grande parte das pessoas, o passo da higienização é aplicado ao cotidiano com facilidade.

Porém, apenas ao imaginar a ida ao consultório odontológico as mãos começam a suar e o nervoso faz o coração palpitar.  

Surpreendentemente, cerca de 50% da população mundial se identifica com os sinais retratados.

Isto é, declaram ter medo ou, pelo menos, sentem ansiedade com as consultas com o dentista. 

Os números apontam que o medo de dentista, ou a ansiedade odontológica, são considerados extremamente comuns.

Por exemplo, estima-se que 9% a 15% da população estadunidense evita ir ao dentista devido à sensação de ansiedade ou medo. A porcentagem representa cerca de 30 a 40 milhões de pessoas.

Outro estudo realizado pela British Dental Health Foundation, uma das principais instituições de caridade independentes de saúde bucal no mundo, com sede no Reino Unido, indica que 36% das pessoas entrevistadas apontaram o medo como principal motivo para a falta de frequência às consultas odontológicas. 

Já no Brasil, a estimativa de pessoas que sofrem de medo ou ansiedade odontológica pode ser ainda maior, se comparada aos Estados Unidos.

Por aqui, o número indicado por estudos é de 15% a 20% da população.

O medo de ir ao dentista, em especial, é conhecido pelo termo Odontofobia e, geralmente, está ligado a outras fobias, como a Aicmofobia – o medo de agulhas – ou a Latrofobia – o medo de médicos.

Diferente da ansiedade, a fobia de dentista é um quadro muito mais sério e pode trazer várias consequências ao acometido.

Qual a diferença entre ansiedade e fobia?

Como vimos, o medo e ansiedade de ir ao dentista são bastante comuns. No entanto, os dois termos não significam a mesma coisa. 

O uso desses termos pode acabar gerando confusão, especialmente porque a fobia é uma condição médica de maior gravidade do que apresenta a ansiedade odontológica. 

Dessa forma, saber identificar e diferenciar a presença de um ou de outro é importante para, principalmente, encontrar uma solução para o problema e definir qual o melhor curso de tratamento com cada paciente.  

Em primeiro lugar, é preciso saber que tanto a ansiedade quanto a fobia não possuem idade específica para se manifestar.

Isto é, podem atingir pessoas de qualquer idade, tanto crianças, como adultos e idosos. 

A ansiedade é caracterizada pela sensação de desconforto relacionada à consulta odontológica.

Pessoas com esse tipo de ansiedade normalmente apresentam preocupação excessiva e medo sem qualquer causa aparente. 

Contudo, a ansiedade não é, por si só, capaz de ir além da razão. Apesar de ser uma condição muito incômoda e difícil de se lidar, se comparada à fobia, pode ser melhor controlada. 

Por outro lado, a fobia é uma condição de que transcende a ansiedade e também a razão.

Trata-se de um medo muito mais intenso e quase incontrolável, levando as pessoas ao terror e pânico. 

Em alguns casos, o odontofóbico pode até mesmo ficar doente pelo estresse emocional ao saber que passará por uma consulta com o dentista.

Em um grau extremo, pessoas com essa fobia podem passar uma vida sem ir à uma consulta odontológica.

Nos casos identificados como medo extremo, métodos alternativos podem ser prescritos para levar a cura ao paciente, como tratamento psicológico e até uso de medicamentos.

No entanto, outras técnicas de relaxamento dentro do consultório odontológico podem ser bastante eficientes.

Para identificar esses casos específicos, antes de submeter o paciente a qualquer tipo de tratamento, o cirurgião-dentista deve realizar uma anamnese detalhada. 

Buscando compreender o que de fato leva o paciente àquela condição.

Em algumas situações mais simples, apenas uma boa conversa pode ser o suficiente para suavizar a ansiedade do paciente. 

Sendo assim, frente a condições como essas, o profissional deve procurar ser o mais empático possível, retornando aos dados da anamnese quantas vezes forem necessárias, a fim de prestar um atendimento adequado.

Portanto, para otimizar seu tempo no consultório, de forma a aprimorar cada vez mais seu atendimento, utilize a tecnologia ao seu favor. 

Para fazer e acessar a anamnese de um paciente, por exemplo, o uso de um software odontológico é muito eficiente. 

O prontuário do Dental Office, por exemplo, é muito completo. Nele, você terá acesso ao histórico do paciente com facilidade, além do histórico de tratamentos e anamnese. 

Quais as causas que levam à ansiedade ou ao medo de ir ao dentista?

Uma das explicações possíveis para a ansiedade e o medo de dentista é a cultura odontológica conhecida e vivenciada pelos mais velhos e, então, passada para os mais jovens.

Isso porque, antigamente, os métodos utilizados no consultório odontológico eram desconfortáveis para o paciente devido às limitações tecnológicas – situação que não condiz mais com os dias atuais. 

Ainda assim, mesmo com o avanço tecnológico e a modernização dos métodos de tratamento e instrumentos odontológicos, muitas pessoas ainda sofrem com o medo de dentista. 

No caso das crianças, por exemplo, ouvir histórias negativas com relação à consulta pode gerar a ansiedade e o medo.

Também é comum que os pequenos sejam induzidos a esse sentimento ao observarem o temor de algum adulto ou dos próprios pais. 

Em outros casos, a falta de empatia do profissional da odontologia pode levar à insegurança.

Situações onde o paciente passou por algum procedimento em que sentiu dor e não conseguiu demonstrar ou não foi ouvido pelo dentista, por exemplo, pode gerar um medo permanente, especialmente em crianças. 

Outras causas que podem levar ao medo ou à ansiedade incluem:

  • Sensação do desconhecido: normalmente associado à falta de experiência em consultas anteriores ou a escassez de esclarecimentos que deveriam ser fornecidos pelo dentista;
  • Dor: uma das causas mais comuns para o desenvolvimento da fobia é o medo da dor que pode estar associado à diversos fatores outros;
  • Constrangimento: se deve a vergonha de ter um estranho olhando para dentro de sua boca, parte do corpo considerada íntima por muitos. Também está associado à consciência do estado de deterioração dos dentes e a vergonha consequente dela;
  • Fatores externos: muitas vezes o medo pode estar associado a outros fatores independentes que prejudique um indivíduo psicologicamente, como casos de abuso físico, mental ou sexual. 

Quais podem ser as consequências para os odontofóbicos?

Se identificada a ansiedade ou fobia odontológica, o indivíduo deverá procurar auxílio profissional, uma vez que a falta de tratamento pode causar graves consequências à saúde.

Isso porque, pela falta de visitas ao dentista, pessoas com odontofobia estão mais sujeitas ao desenvolvimento de doença periodontal.

Além disso, também existem as consequências estéticas e emocionais.

Um sorriso danificado, amarelado ou o mau hálito frequente, podem causar insegurança e até mesmo gerar impactos na vida pessoal e profissional de um indivíduo.

Com uma saúde bucal precária, o indivíduo também estará sujeito à condições que apresentam risco de vida, como doenças cardíacas e infecções pulmonares.

Apesar da ansiedade ser comum em muitos casos, não é normal haver terror sob a perspectiva de ter que se submeter a procedimentos odontológicos. Se isso ocorrer, é preciso buscar ajuda.

Como qualquer outro transtorno mental, a odontofobia pode, e deve, ser tratada.

Como identificar o medo do dentista e suas consequências

(Produzido por Simpatio)

Dr. Ramiro Murad

Graduado em Odontologia pela UNIC. Residente em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial no Sindicato dos Odontologistas de São Paulo (SOESP – SP). Com habilitação em Harmonização Orofacial e integrante da equipe Bucomaxilofacial na Clínica da Villa, em São Paulo. Dentista parceiro da Simpatio. CRO – 118151.

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